Princípios da Improvisação Musical: Harmonia

Princípios da Improvisação Musical: Harmonia

É impossível dissociar os paradigmas pertinentes ao ato de improvisar da estrutura que lhe confere senso estético: a Harmonia. Ela é o eixo cenográfico que permite ao solista construir um universo sonoro poético com significado. 

Através de suas proposições de tensão/relaxamento e seu ritmo harmônico, é ela que atribui sentido estético ao trecho. Ainda que o solista opte por uma prioridade melódica no solo, relegando a harmonia a um segundo plano, é em função dos eventuais choques e consonâncias com o pano de fundo que o caráter do discurso será definido. 

Reconhecer essa hierarquia e sua dimensão é algo extremamente relevante, pois o solista que consegue usar o cenário harmônico através das suas configurações de tensão/relaxamento, certamente estará amplificando e catalisando o potencial expressivo de um momento musical. 

Os que se interessam por esse estudo também devem dominar as progressões de acordes de cada peça como uma diretriz fundamental, por causa de seu papel em sugerir material tonal para o tratamento da melodia e em dar forma à inventividade em seu esquema rítmico-harmônico.

Através das relações dominante-tônica, cadências, cores das tensões dos acordes, sensação de campo gravitacional da tonalidade, e ritmo harmônico, a harmonia se constitui no elemento mais profundo de percepção emocional durante a audição de um trecho de improvisação. Ela opera no campo da emoção, no nível sutil, sensorial da percepção, propondo uma cadeia de eventos que irão formar uma estrutura sonora pictórica na mente do ouvinte. Qualquer ser humano exposto ao sistema tonal ocidental é capaz de sentir fisicamente as forças de atração entre dominante e tônica e a respectiva condição de tensão e relaxamento de uma cadência harmônica.

Na música popular, uma página com os acordes pode ser suficiente para dar corpo a uma obra inteira. Suas informações servem somente como guia, descrevendo a forma e a harmonia da peça. A partir dessa estrutura, o intérprete pode criar uma gama de variações, que vai desde a composição de novas melodias em cima da harmonia proposta, até a variação da mesma em múltiplas versões e até diferentes instrumentações.

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