Princípios da Improvisação: o Tema

Princípios da Improvisação: o Tema

O tema, na música instrumental, ou a “head”, no jazz, é a melodia per se. É o elemento de reconhecimento para o ouvinte, o que atribui unidade. Tradicionalmente o tema serve de base para improvisos subsequentes, e é a ele que se retorna após os solos improvisados, como um prólogo antes da conclusão da peça. É interessante observar que essa ideia de retorno subjacente ao personagem do tema sugere uma compreensão cíclica, que “amarra” e conduz os acontecimentos sonoros durante a execução da música. O tema funciona também como uma referência, pois o instrumentista pode segui-lo [ou deixar-se guiar por ele] durante a elaboração de seu improviso.

O caráter de um tema no contexto do jazz e da música improvisada confere a univocidade do discurso em meio à multiplicidade de intérpretes quando da execução deste. O tema é, portanto, um elemento determinante do caráter da música a ser executada, sendo ele o responsável pelo seu engendramento discursivo. Como já se disse, é ele que confere unidade à composição, dando-lhe um norte que deve ser seguido na improvisação.

O retorno ao tema, assim como as referências e citações a ele durante a improvisação, permitem ativar no ouvinte afetos da memória musical. Articular a memória musical do ouvinte possibilita criar pontos de identificação sonoros e ampliar sensivelmente a interação e apreciação da peça. 

Para o ouvido a repetição é uma forma da acumulação, por isso se torna um elemento-chave na própria música. A música move-se no tempo – ainda que para frente –, no entanto, paralelo e simultaneamente a essa progressão, o ouvido lembra-se do que já percebeu e, por meio disso, volta ao passado ou pode até ser consciente dele e do presente ao mesmo tempo. Não se pode ter uma memória do som na primeira nota, mas já na segunda nos tornamos conscientes de sua relação com a primeira, pois o ouvido se lembra dela.

Convém ressaltar que nem sempre as improvisações irão necessariamente citar ou referendar o caráter do tema. Serão produto de uma opção consciente que pode ser de confluência ou antagonismo, mas que sempre terá alguma relação com o tema. Essa escolha espontânea, baseada na intuição e aliada à experiência e vivência musical do instrumentista, é uma das bases conceituais que permeia o universo da música improvisada.

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